A gente já te contou aqui sobre umas festas que andam rolando na UFPA e que são loucurinhas. Uma das mais fervidas é a Bakanal, que está completando um ano.

E, claro, a data não ia passar em branco. Como a turma que produz a festa só queria um motivo pra comemorar, a Bakanal sai do compus do Guamá e chega à pista do Studio Garden no próximo dia 12.

Pra contar mais, a gente conversou com o Henrique Montagne.

 

A Bakanal está completando um ano. Como foi que tudo começou?

Começou quando quis oficializar minha união artística com uns amigos do meu curso. Criamos um coletivo de arte chamado Assalto Coletivo. A ideia era realizar uma ocupação numa área externa onde, até então, era inutilizada na nossa faculdade de artes visuais no campus profissional, com DJs alternativos e pessoas que trabalham na arte da performance. A primeira edição era pra ser um festival, e ocorreu de forma bem discreta, o público acabou sendo para a nossa própria faculdade e para alguns cursos “alternativos” dentro da universidade. Depois veio a segunda edição e cresceu já de maneira considerável com um público de outras universidades. A publicidade foi de boca em boca e espalhou. A galera comprou a proposta da festa, do espaço em área aberta, as músicas totalmente diferenciadas do então vadião. E a Bakanal agradou e uniu todo o publico alternativo da universidade que até então não se comunicavam e que, no fim, todos estavam em um grande culto pra Deusa (risos). A terceira e quarta cresceram de maneira assustadora, sendo que a última, creio que tenha tido um público 600 pessoas, um vadião do submundo!

 

A gente sabe que está rolando um circuitinho de festas babado na UFPA. Como a Bakanal se destaca e está inserida nesse meio?

Bom, começamos a nos sentir desconfortáveis no espaço do vadião e muitas outras pessoas também. Tanto pela música, pela insegurança, e pelas pessoas nas quais não eram convidativas ao público LGBTQ. Daí surgiu a ideia de fazer a Bakanal na área externa da minha faculdade, pois já imaginava que ali poderia rolar alguma coisa. Só precisava de amigos nos quais fossem meus parceiros em comprar a ideia de fazer uma festa-ocupação diferente. Ela veio como ideia de ocupação, por isso o diferencial, o lineup de DJs, as performances, o videomapping e a música também é um diferencial. A Bakanal não representa só a galera LGBTQ, mas ela representa algo muito além disso, a galera estranha, ou fora do meio dentro da universidade, uma galera sedenta por ser quem é e se sentir bem e seguro com isso. Uma galera que se identificasse, no nosso coletivo existe essa representatividade com o movimento feminista, a galera do movimento negro, a galera do cenário independente, das artes, da cultura, do cinema, da dança de Belém. Etc… Além de a festa ter uma energia incrível, um povo com figurinos inusitados, muitos beijos, liberdade e diversão.

 

Os cursos se mobilizaram após a proibição de festas no Vadião? Como vocês veem essa decisão da reitoria?

Olha, até então houve um grande silenciamento com a proibição do vadião. Os cursos e seus centros-acadêmicos começaram a produzir mais festas nas áreas ao redor das suas faculdades. E a Bakanal já tinha surgido até antes do encerramento das atividades no vadião. Então, acho que a galera começou a comprar essa ideia de usar o que é nosso e de todos na verdade que são os locais livres da universidade.

                                                                                               Fervinho rolando na UFPA

 

Comemorar um ano com uma festa fora da UFPA não perde a essência da Bakanal?

Boa pergunta… Olha, talvez sim e talvez não. A Bakanal cresceu e o público também. Com isso vem responsabilidades. Não é nada fácil fazer uma festa como a Bakanal dentro da universidade. Meu nome começou a assinar termos com a prefeitura. Também cresceu o incômodo de alguns não simpatizantes da festa dentro da faculdade (alguns professores por exemplo). Mesmo com todo o nosso cuidado na produção e na pós-produção, como o recolhimento do lixo, limpeza dos banheiros internos dentro da faculdade. Também tem o aluguel do som e o cansaço, muito cansaço pelo muito produzido pro pouco que resta pra nós. Por incrível que pareça, o que resta para nós do coletivo é pra pagar nossas despesas numa única viagem do encontro nacional do nosso curso, não fica nada individual pra cada um. É pro coletivo mesmo. E hoje em dia não é nada barato viajar pra sair do estado.

 

A noite vai ter muitas drags. Várias festas também andam apostando nelas. Por que é importante divulgar e enaltecer esses trabalhos?

Vai ter mesmo! Porque eu acho que a cultura das festas alternativas LGBTQ é sinônimo da arte drag. As drags são da noite, os clubkids, a galera estranha surge na noite. E o Bakanal sempre teve ciência disso, pela sede desse resgate da cultura alternativa de drags e performances que foi muito forte na década de 80 e 90. O Bakanal surgiu com a ideia de além de ser uma festa-ocupação, também de ser um evento de performance. De corpos performáticos, ou seja, não só os profissionais/artistas que trabalham com a linguagem do “Drag”, mas com performance no geral. Aliás, todos que trabalham com o corpo são performers. Pessoas vão pessoas montadas na Bakanal, até mesmo sem se “apresentar” como eu disse. São corpos estranhos, performáticos, inusitados loucos para causar e causam mesmo. E isso ganha uma força naquilo que você tá produzindo. Por isso, acho importantíssimo elas nas festas atualmente. Mas lembrando que Drag é arte e arte é trabalho! Temos que respeitar esses profissionais!

 

Quem nunca foi numa Bakanal e está curioso com o nome da festa, pode esperar o que?

Pode esperar por algo novo! Um Bakanal no seu termo grego mesmo, bakantes sedentos em um culto na noite. Uma festa estranha, mas atrativa e com vontade de ir muito mais vezes. Uma energia ótima de pessoas loucas juntas, uma união de personalidades e de corpos. Por isso trabalhe no figurino estranho, pois você é aceito. Dificilmente você sairá sem dar beijos em desconhecidos (a não ser que você não queira) ou beijos triplos, quádruplos e etc… HAHAHAHA

 

SERVIÇO

Bakanal  Dark B’day  1 ano!

QUANDO: sábado 12/08

ONDE: Studio Garden

QUANTO: R$15 (antecipado) // R$20 (na hora) // Free pros aniversariantes do dia

 

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